Manter uma escola gratuita, em período integral, para cerca de 170 crianças e jovens exige mais do que uma estrutura educacional. Exige também encontrar formas de garantir que esse trabalho continue.
Em São José do Rio Preto, a Organização Maria Peregrina oferece educação da educação infantil ao ensino médio, sem cobrança de mensalidade, e envolve as famílias no processo de formação.
Para sustentar essa atuação, a instituição conta com doações e parcerias, mas também encontrou no empreendedorismo social uma forma de gerar recursos próprios.
Foi assim que produtos e serviços passaram a se transformar em receita para manter a escola e ampliar seu impacto.
Uma organização que também aprendeu a empreender
A Maria Peregrina chama suas iniciativas de geração de renda de empresas sociais: negócios que comercializam produtos e serviços, mas destinam seus resultados à manutenção das atividades da instituição.
O Brechó Maria Peregrina foi uma das primeiras experiências. Roupas e artigos recebidos em doação eram vendidos e transformados em recursos para a escola.
Por volta de 2017, a aproximação com o Instituto Credicitrus abriu espaço para novas iniciativas. A primeira delas foi o Orgânico Maria Peregrina.
Orgânico Maria Peregrina: geração de renda conectada à agricultura familiar
O projeto Orgânico Maria Peregrina comercializava cestas de hortifrutis orgânicos por assinatura, aproximando pequenos produtores da região de consumidores.
A iniciativa gerava renda para a escola e criava um novo canal de comercialização para os agricultores. Funcionou por cerca de dois anos e foi encerrada durante a pandemia.
A experiência, porém, deixou um aprendizado importante: era possível unir geração de renda, desenvolvimento local e sustentabilidade institucional.
Suco Maria Peregrina: de assinaturas a novos mercados
O Suco Maria Peregrina seguiu uma lógica parecida com a das cestas.
O produto começou a ser vendido por assinatura e entregue nas casas dos clientes. Com o crescimento, chegou a comércios, supermercados, hotéis e hospitais de São José do Rio Preto. Famílias atendidas pela escola também puderam atuar na revenda.
O crescimento trouxe um desafio: a logística. Para acompanhar a operação, o apoio do Instituto Credicitrus ajudou primeiro na estrutura de conservação e, depois, na aquisição de uma Fiorino refrigerada.
A nova estrutura permitiu ampliar as entregas e atender mais clientes. Hoje, o suco continua em atividade e representa uma importante fonte de recursos para a escola.
Magazine Maria Peregrina: produzir para aumentar o resultado
Em 2026, a parceria avançou para uma nova frente.
A Maria Peregrina já comercializava produtos personalizados, imagens religiosas, colchões e outros artigos, mas as vendas aconteciam de forma dispersa e parte dos produtos precisava ser encomendada de fornecedores externos.
Com o apoio do edital de geração de renda do Instituto Credicitrus, nasceu o Magazine Maria Peregrina, reunindo loja, ateliê, estoque e espaço para comercialização de colchões.
A estrutura também permite produzir internamente parte dos produtos, como camisetas, canecas, bonés, imagens religiosas e itens personalizados.
A mudança aumenta a autonomia da instituição, amplia as possibilidades de criação e pode melhorar o resultado obtido com cada venda.
Uma loja que reúne produção, participação e novas possibilidades
O Magazine também organizou atividades que antes aconteciam de maneira dispersa.
Os artigos ficavam guardados em caixas e eram apresentados principalmente durante eventos. Os colchões vendidos pela instituição precisavam ser armazenados em espaços cedidos, porque o brechó não comportava o estoque.
No novo endereço, a Maria Peregrina reúne o ateliê, a exposição dos produtos, o estoque e a área de vendas.
As impressoras 3D e de resina permitem criar imagens religiosas, que são pintadas por mães ligadas à comunidade da escola. Os equipamentos de sublimação possibilitam produzir camisetas, canecas, bonés e outros itens. A instituição também começa a receber solicitações de produtos personalizados.
O espaço ainda mantém a venda de colchões, atividade que já apresentava bons resultados no brechó. A parceria com um pai da comunidade, ligado ao setor, ajuda a instituição a obter produtos com preços competitivos.
O Magazine nasce, portanto, a partir de experiências que a escola já havia testado.
O apoio permitiu reunir essas frentes, organizar a produção e criar melhores condições para que o empreendimento evolua.
Empreendedorismo social também exige gestão
Criar um negócio social não significa apenas encontrar um produto para vender. É preciso entender custos, margens, estoque, logística, clientes e resultados, e saber reconhecer quando uma operação precisa mudar.
A trajetória da Maria Peregrina mostra isso.
No Orgânico, o desafio estava em conectar produtores e consumidores. No Suco, o crescimento exigiu melhorias na conservação e na logística. Agora, no Magazine, a necessidade está em estruturar a produção e criar um espaço permanente de comercialização.
Para Renata Monferdini Cristófalo Wada, coordenadora de Projetos e de Recursos Humanos da Maria Peregrina, desenvolver negócios próprios é importante para que organizações sociais consigam construir maior sustentabilidade e dar continuidade ao trabalho realizado.
Nesse processo, a proximidade com o Instituto Credicitrus vai além do apoio financeiro. A parceria permite compreender as necessidades de cada iniciativa e direcionar os recursos para os pontos que podem fazer o negócio avançar.
Recursos que entram em movimento
Na Organização Maria Peregrina, cada negócio tem uma finalidade que vai além da venda.
As cestas conectaram produtores e consumidores. O suco ganhou estrutura para chegar a novos clientes. O Magazine cria novas possibilidades de produção e comercialização.
Em comum, todos têm o mesmo destino: contribuir para que a instituição continue oferecendo educação gratuita.
É esse movimento que traduz o ciclo de cooperação do Instituto Credicitrus. Os resultados gerados pelas movimentações dos cooperados retornam à sociedade por meio do investimento social e ajudam organizações como a Maria Peregrina a transformar recursos em novas oportunidades.
No fim, o negócio gera receita, a receita fortalece a instituição e a instituição mantém seu propósito.
Instituto Credicitrus
Construir Oportunidades. Transformar Vidas.